quinta-feira, 16 de setembro de 2010

terapia

Hoje
reencontrei o homem
que conheci
há quatro meses atrás
um homem sorridente
e sério
alegre e solto
falando e brincando
meio pedindo
meio perguntando
me seduzindo
em um local
impróprio,
com seu conhecimento
de causa
adquirido
ao longo dos meses.
Gostei das carícias
atrevidas
onde e quando
nao deveriam,
gostei
da entrega implícita
no pedido pra escolher
sua roupa,
gostei da amostra
de independencia
masculina
me mostrando
na brincadeira
sua cueca nova
na sala de espera,
onde só estávamos nós dois.
Atos impensáveis
para o homem
com quem tenho dormido
e algumas vezes acordado
ultimamente.
Este foi o homem
que me deu flores
de surpresa
após meu desabafo
sobre gostos e independência
tão fora de seu padrão
de cotidiano.
Esse foi o homem
que me deixou
cheia de tezão
em uma noite chuvosa
na praia
após o cinema esquecido.
Foi com esse homem
que fui pra cama
de primeira
segunda
e terceira,
antes de tudo virar
relacionamento
e se complicar.
Antes dos sentimentos
virarem cargas
a serem trasnportadas
e manuseadas.
Talvez tenha sido,
somente,
folga
do workaholic insuportável
que meu homem
tem sido
nos últimos dias...
Mas foi bom ver
que você ainda está aí
dentro
escondido
soterrado pelos problemas...
mas aí,
prontinho pra sair
de vez em quando
e sorrir pra mim,
e me dar amendoins japoneses
e me puxar pelos cabelos
e beijar com vontade
enfiar as mãos pela minha
roupa a dentro
me provocando,
sugando meus seios
onde não me sinto
à vontade,
onde
certamente,
vou pedir pra parar
mesmo que a vontade
seja continuar...
Brincando com o perigo
de ser pego
e não ligando pra isso.
Me deixando acesa
e impotente.
Na primeira vez
pedi privacidade
e consegui.
Hoje não tinha como
nos desvencilharmos dos filhos
da vida...
nao era sábado
nao era noite
nao dava pra fugir
pra uma cama qualquer
e terminar
o que você começou.
Ficamos na vontade,
mas uma vontade boa
contente
com cor de sol.
Amanha é outro dia...
quem sabe
não fugimos a tarde
como no inicio?
Fechamos as cortinas
e trepamos como loucos
até o anoitecer...
quem sabe esse retorno
nao dura dois dias...
sem grilos
sem cobranças
sem pedidos de casamento
esquisitos
sem filhos
sem trabalho
sem problemas...
Entenda
tudo é muito bom
quando está bom,
mas os sentimentos fazem
as brisas frias
virarem tempestades.
Prefiro tardes como essa
de hoje
pois se você ja
nao soubesse
onde ligar todos
os meus botões
seria de novo
como na primeira vez
só que melhor.

Precisamos viajar
sair do mundo
e ter uns dois dias
só pra nós dois
nós mesmos
de verdade...

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