domingo, 6 de dezembro de 2015

É só isso mesmo...

Escrevo como quem
morre.
escrevo tristezas e lembranças.
crônicas de lugar nenhum.
escrevo sobre dores e amores
escrevo de uma forma
que até
parece fácil
falar assim...
Nada é fácil
todos os meus dias
são uma orgia
de nunca mais...
A cada palavra
sentida
e cuspida
colocada nas teclas
bêbadas
ou não
minha alma escapa
da clausura
destes dias
tão complicados
sem ter
com quem
desabafar.
Eu olho em volta
e rezo a Deus
por menos dias
sombrios
menos
estado de sítio
menos complicação
rezo
por tranquilidade
e opções
menos complexas
menos enredadas
em tantos
senões...
mas esta
esta não é minha missão
não foi o contrato que fiz
então escrevo
escrevo
como quem chora
escrevo gritos
no silêncio
de uma madrugada
ou outra
escrevo pra
me libertar
das impressões
que deixo...
E mesmo aqui
eu deixo
impressões
dúbias
estranhas
impossíveis
de se compreender
à margem
de quem não consegue
compreender
tanta liberdade
envolta
em tanta
solidão.
escrevo linhas e linhas
 e não consigo
expressar
o que acontece no fim
o caminho inteiro
ou simplesmente o meio.
Nada
nem as músicas
em que me reconheço
retratam
o que quero dizer.
Todas as minhas palavras
frases
soltas
desconexas
não bastam
pra orientar
qualquer ser...
nem tem que ser
pra isso.
São simplesmente
ecos
ecos de uma inexistência.
De um não saber
dizer.
Escrevo pretensa
poesia
escrevo crônicas
de uma realidade
perdida.
escrevo e deixo
de escrever
conforme o dia
conforme a barra pesa
o corpo sente
a cabeça gira
anestesiada
e as palavras
se encadeiam na mente
formam orações
escrevo
somente
para sobreviver
a mais um dia
ou dois
apenas.





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