Dor...
É a palavra que resume
meu último mês e pouco...
Dor...
Dor de verdade
física.
Não dor de espírito
não as dores de alma
de sempre...
Só dor...
Impossível andar de pé
ereta.
Impossível
dançar....
dói mais ainda...
doem as outras dores não físicas
por causa disso.
Impossível me concentrar
Impossível...
imersa em dor.
remédios, médicos,
analgésicos
que não curam a dor
da impossibilidade
da impotência
da soberba
de não precisar
de nada
e de ninguém
para tocar
a vida.
Como não há alternativa
como a vida não pára
eu ando
me arrasto
tropeço
me entorpeço
me drogo
diariamente
e faço o mundo
meu mundo
girar
dia a dia
com dor
ou sem dor
depende somente
da dose
do analgésico
da vez...
Ao mesmo tempo
o mundo gira
junto
coisas acontecem
boas por sinal
confusas quando em vez...
Meu texto
aceito no Congresso
Floripa em agosto...
Lido com isso depois...
Mais uma pós graduação
começando no final do mês...
eu não tenho juízo mesmo...
Convite para dar aula em julho...
ai meu Deus!!!!
Quem tem tempo de
pesquisar
e montar aula?
O trabalho em fase
de mudanças radicais
de novo
e finalmente
eu acho...
E os problemas diários,
emergência que não anda
emergência correndo
risco
de fechar
ano eleitoral
e mais, e mais
onze pessoas
dependendo
de orientação e colo
diariamente...
E a dor não se vai...
e eu não danço há um mês...
exames
outros problemas
cirurgia logo ali
no horizonte
e filha
e casa
e familia
pra cuidar...
Viagem...
aeroporto novo... longo...
correr pelas esteiras
com dor...
remédios
e mais remédios...
fisioterapia
e a maldita dor..
não se vai..
melhora...
me deixa até dançar
uma ou duas músicas
na despedida do professor maravilha
mas volta
e incomoda
e se faz presente.
E aparecem conversas
transversas
de lugares
inacreditáveis
como assim?
Devo estar surtada
drogada
de analgésicos
para a maldita dor
vendo coisas
onde não existem...
devem ser os remédios..
até prefiro que sejam...
E lá vou eu andando
seguindo
cuidando
resolvendo
pensando
tentando...
Ser a mulher maravilha
capenga
de sempre...
cuidando de tudo
e de todos
apesar
e sempre.
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