quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Primavera

E de repente
ao longo de todo esse dia
os pensamentos retornam
a cenas passadas,
saudosas,
doloridas
mas sempre repletas de todo o prazer
que tive com você,
de repente, mas não inesperado
nem mesmo
inusitado.
Sempre te lembro
aqui e ali
a cada dia menos
mas lembro,
lembro com raiva
lembro com saudades
lembro sempre
completamente cheia
das mesmas interrogações
de sempre
doença de quem
não consegue
viver sem respostas
de quem leva a vida
cheia de lógica
completamente sem lógica nenhuma...
mas ao menos hoje
hoje pensar em você
não me fez triste
me fez pensar
em outras coisas
coisas demais
e me deu vontade
muita vontade
de rever minha casa
de rever meus pensamentos
de me reencontrar
cuidar de mim
me fez ver luzes
acendendo um caminho
há muito apagado
o caminho da minha voz
o caminho das minhas palavras.
Me deu vontade de escrever
novamente
gritar novamente
meus erros e acertos
saudades e desejos
saudades sim, demais
demais de mim mesma
do meu equilíbrio perdido
da minha alma
que somente vaga por aí
há meses
sem fim...
Pensar em você
me fez pensar
em mim mesma
perdida nas sombras
cultivando dores
chorando mágoas
sem dar um passo
somente um passo
rumo ao horizonte
voltada que estive
todo este tempo
em choramingar
minha incompetência
me afundando no lodo
da autopiedade
e morrendo por dentro.
Pensar em você me fez rever
tudo o que me deixei
tirar de mim mesma
ao longo
deste tempo todo
muda
doente
perdida
sem poesia no coração.
Depois de tanto tempo
foi a primeira vez
que nossos encontros
imaginados
e reencontros lembrados
me fez algum bem concreto
mesmo que seja somente
o acordar da vontade
a pausa necessária
na tristeza tão cultivada
tão necessária.
Hoje acho
que meio acordei
e olhei as consequências
de tanto tempo muda.
Preciso recuperar
minha poesia
minha voz
minha vontade
meu controle
meu sono
minha vida.
E recomeçar
a cuidar da casa,
regar as plantas
ver germinar
novamente
no meu jardim de sonhos
minhas palavras perdidas...
Preciso renascer,
e logo ali..
logo ali a diante
enxergar a estrada
aquela tal
que pode finalmente
não dar em nada mesmo,
mas a única que pode
me levar
de volta a mim.


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