domingo, 13 de maio de 2012

Crazy...

Hoje era dia
de ir pra rua
exibir a alma suja
suja de pequenos desejos
indecentes
de bem e de mal
de inveja e bolor
de alegrias
não concretizadas
hoje qualquer gole seria
bem vindo
qualquer sexo
seria benigno
por mais atroz
por mais infimamente
praticado
hoje não sou ninguém
não sou humana
hoje somente o nojo
da humanidade
e de mim
são palpáveis
sempre
rastejando
como quando adolescente
sem nenhuma auto estima
buscando aprovação
buscando conteúdo
no nada
das vaidades alheias...
me sinto mau
me sinto down
me sinto nada
hoje era preciso
rodar saia
na esquina
rasgar pele
com unhas
vermelhas
e longas
paródias
de poder
de tezão
de nada
hoje os saltos altos
estão abaixo
da média
tropeçando
a cada pedra
a cada passo
hoje
somente
a busca
nas melodias
tristes
e repletas
e nãos
o olhar em volta
e somente
enxergar
a pobreza da alma
as desculpas pequenas
a exposição mesquinha...
na tv corpos
se retorcem
em sexo fingido
os sorrisos de todos ao redor
não têm conteúdo
a vida passa
cheia de lamentos
sobre
a falta de forças
a impotência
o vício
tudo corrói
olhar dói
sorrir dói
hoje não há lágrimas
a chorar
somente solidão
acompanhada
somente
desculpas gastas
e falta de caráter
e falta de vontade
de outro passo
bêbado
tresloucado
mais uma dança
mais um cigarro...
mais nada
vazio
vazio imenso
pedidos perdidos
de atenção
anônimos
por si mesmos
sem direção
hoje somente
ausencia
desorientação
os blues de sempre
a noite perdida
nas brumas
da alienação
silêncio
silêncio desrespeitoso
sinônimo de não
de nada
sempre nada então
nada como sempre
apesar dos gritos
silenciosos
dos pedidos
de atenção
não verbalizados
somente
insinuados
por gestos
nunca entendidos
ou entendidos demais
o disfarce
a fuga esperta
à française
de dívidas não
compartilhadas
surtar
seria bom
seria demais
se fosse possível
restam os gritos
gritos silenciosos
de socorro
gritos engasgados
transmutados
invisíveis
pedidos
pedidos de paz
de amor
de nada...
nada sempre
sempre nada
na imensidão
nesta multidão
surda
hipócrita
egocêntrica
e o sono
dormir
dormir por dias
enguiçar
travar
nada funciona
tudo funciona ao contrário
hoje tudo é limbo
tudo é escuro e indeciso
tudo é perspectiva avessa
tudo é retrato
do nada de sempre
o sempre imenso nada
sôfrego
cheio de desejos ocultos
cheio de verdades pequenas
pedidos banais
alma encolhida
loucura desejada
batendo na porta
e mandada embora
pela obrigação
de sobreviver
mais um dia
mais um dia
mais um dia...



2 comentários:

  1. E sobreviveremos mais um dia, dois, três, quantos forem precisos para consertar-mos nossos estragos, nossas almas feridas, arrumar os brinquedos, reorganizar a memória, quem sabe os sapatos, os de dança, os altos...Quando concluí a leitura deste post senti-me aliviado, pois saiu o que tinha de sair, e o mais louco é a doce/ácida poesia que se tornou. Te admiro tanto amiga, pelo teu poder de dizer, simplismente dizer, com as metáfoas certas, as certezas e mentiras também, mas fazer o quê, se somos assim, sentimos até o osso, e vivemos, é o que mais sinto neste post, vida, porque só quem tem uma vida pode dizer dela, para o bem e para o mal, mas o mais importante continua sendo ela,a VIDA. Hoje era dia de sair para rua ? ótimo, eu também vou...
    ps. Com muito carinho, com muito respeito, meu sempre imenso abraço, querida amiga.

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    Respostas
    1. Jair meu querido... eu te amo sem nem ao menos te conhecer... conhecer???? essa palavra é uma paródia de compartilhar espaços... nossas almas se conhecem, certamente há eras... nada na vida é por acaso e os karmas são todos interligados, vivamos na mesma cidade ou não, dividamos o mesmo espaço por 5 minutos ou não, fazendo catarses de alegrias ou tristezas, seja pessoalmente, seja virtualmente... você faz parte da minha vida e das minhas noites, sejam elas alegres ou tristes...Não preciso tatear ou olhar para saber que você está sempre por perto. Obrigada por me ouvir e entender... quando ne eu mesma consigo, muitas das vezes...

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