domingo, 4 de dezembro de 2011

Fim de ano...

Odeio esta fase do ano
realmente detesto
odeio
a falsa alegria
que parece invadir a tudo
e a todos
odeio
a hipocrisia
dos abraços desperdiçados
com pessoas
que não nos dizem nada
odeio a necessidade
de confraternizações
obrigatórias
com um monte de gente
que não nos acrescenta
uma vírgula
odeio a expectativa
de que um dia novo
em um novo ano
vá trazer mudanças
radicais
no que não foi modificado
nos 365 dias anteriores
odeio as promessas
vazias
odeio os sorrisos bobos
odeio as frases feitas
nunca sei
que nunca sei
como responder
odeio a idealização
de um novo ano
como se uma nova vida
fosse dele nascer
nada além
de passar uma noite
cheia de bebidas
e comida
e fogos de artifício
com um feriado depois
pra curar a ressaca
do dia anterior
nada de novo
só vira um dia
e um ano
no calendário
pra mim é só mais um passo
pra o que vem depois
como em todos os dias
sem a necessidade
de beijos e apertos de mão
Como todos os solitários
do mundo
odeio mais ainda
a consciencia
da solidão
que estas "festas"
trazem consigo
odeio final de ano
odeio natal e ano novo
mesmo cumprindo os ritos
pois quem tem criança em casa
precisa preservar
a inocencia dos seus
ainda não submersos
nas dores e alegrais fulgazes
do mundo
odeio não os símbolos
mas sobretudo
as atitudes vazias
de significado
não muda nada
no ano novo
somente aumentam as contas
a pagar em janeiro
as preocupações
com matricula na escola
IPTU, IPVA
impostos sobre o direito
de pensar
será que no ano que vem
dá pra pular dezembro?
e partir direto para um
novo janeiro
e me poupar
desta ultima quinzena infernal
que encerra todo ano velho????

Um comentário:

  1. Minha amiga Anaís, justo quando estou com o coração aberto para a tragédia do final de ano, como descreves bem as cenas hipócritas que nos sujeitamos, pois é, até queria me sueitar, até aceitaria entrar no amigo secreto, mas eis que hoje pela manhã havia a brincadeira entre eles (os outros) sobre amigo secreto, ou seja esperaram eu me afastar e pimba...logo este ano que estava dando um trégua, estava querendo acreditar, mas é impossível, o ser humano é isso e sempre será, por isso minha maiga, continuo no teu bloco, apesar, como eu disse, quero preservar a paz que consegui, com muito esforço e muito rivotril. Esta exclusão, trouxe à tona tudo de novo, mas melhor assim, continuarei só nesta busca de paz, harmonia e não me alterar de jeito nenhum, pelo menos no trabalho, por isso farei como cavalo na semana da Pátria, cacando e andando e sendo aplaudido. Neste Natal só quero meus pais comigo, mais nada.
    Amo tua lucidez ácida, teu verbo solto e sem medo...só te admiro mais e mais.
    ps. Um sempre imenso abraço, querida amiga.

    ResponderExcluir

Sirvam mais uma: