domingo, 3 de abril de 2011

Texto roubado

"Eu ando me viciando novamente. São as palavras que me consomem e não podem ser ditas. São esses sentimentos que me comem viva, dia-a-dia, como numa pequena fogueira. Não posso dizer a que veio, ou mesmo se irá embora. Sou apenas alguém ardendo numa fogueira feita com ossos dessa mulher que me tornei.
Decidi não lamentar mais e conviver com a minha realidade custosamente humana. Pois não te avisei? Sim , de onde vim não haviam essas vontades de ter o que não se pode, ou deve. Lá, nessa terra, havia um solo morno, mas não quente, uma brisa que era ventania, a fruta azeda no pé, os dias terminavam como os clarões que antecedem cada tempestade. Não era fabuloso,era apenas meu, e para isso me bastava, me sustentava. Então, quando fui deixada aqui, muito de mim foi esquecido. Que lamento.
Mas os suspiros antes de dormir, a necessidade de buscar o céu ainda fazem parte de mim. Tive as asas prejudicadas com a queda, e nunca mais alcancei entender o outro.
Porque hoje, os desejos que tenho me devoram lentamente, me tirando a visão e o tato. O olfato sinto apenas o que já passou e tenho memória desses aromas de antes.Não sou inteira, sou apenas boa parte, que se disfarça, se convence todos os dias, que esta por fim é minha casa.
Eu queria pronunciar teu nome em voz muito alta, pra ver se algum santo de bom coração considerasse um disparate e me fizesse esquecer.
Dentro de mim vivo duplamente. Por isso esse esforço tão grande pela manhã.Esse peso nos ombros no final de cada tarde. Porque apesar de leve, carrego essas duas mulheres, uma chorosa e outra bastante confiante. Uma cheia de desejos e a outra sem contemplação. Mas ser mesmo, sou apenas uma, a outra fica trancada, num quartinho bem ensolarado.
Por mim te beijava a boca, agarrava nos teus cabelos e abria os olhos só depois que o último da platéia saísse..."


Roubado de: http://odiariosecretodeumamariposa.blogspot.com/


Muito apropriado.

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