Pra ser muito sincera
com você, comigo mesma,
conosco,
você nunca me pediu nada.
Nada mais que copanhia
pra assistir um filme ruim
que acabamos vendo muito
tempo depois...
de resto,
tudo o que você teve de mim
fui eu quem deu
de boa vontade.
O que não lhe foi dado
desta forma,
você tomou
com mão forte,
e com a minha licença
e concordância
desde a primeira noite.
O que te dei...
Te dei tantas coisas
além do meu corpo...
além de prazer...
mas isso sempre foi
o menos,
a parte pequena,
o que tinha menos importância...
A carne?
O sexo?
Quase sempre foi bom
ao menos pra mim,
quase sempre foi perfeito.
Mas isso
sempre foi
a menor parte
do todo
que pude te oferecer,
mesmo tendo sido
a unica forma
de você compartilhar
algum sentimento
de alguma forma
comigo...
O que te dei
foi imensurável
intangível
incontável
porque não foi
material.
Quase nunca foi...
Eu te dei confiança
antes de qualquer outra
coisa
pra te deixar me levar
onde e quando...
Eu te dei o renascimento
de uma mulher amorfa
e frígida de sentimentos.
Eu te dei conversas
que você nunca pôde
compartilhar.
Eu te dei motivos
pra ficar longe de mim.
Eu te dei
minhas esperanças
de acreditar
novamente
em dois.
Eu te dei
minha vaidade renascida
e incentivada
pra chamar sua atenção...
eu te dei sorrisos
que nem sabia que tinha
guardados...
Te dei a capacidade
de me deixar
confusa e timida
de me fazer falar bobagens
pra disfarçar
o medo de,
justamente,
te falar bobagens...
Eu te dei comida errada e certa
te dei mesa bonita
te dei a ausência
de quem amo
mais que a mim mesma
somente pra ter sua presença.
Te dei minha casa,
minha cama,
pijama no armário...
pra você se sentir à vontade...
Eu te dei
carinho
incentivo
e perguntas aos milhões
pra tentar te fazer
sentir melhor.
Conversas ao vento
sem respostas...
Te dei
ajuda
e paciência.
Te dei toalhas limpas
e cama arrumada...
Te dei a mão
aberta
curiosa
carinhosa
provocadora...
Te dei todos os beijos
que tinha armazenados,
te dei palavras escondidas,
e pedaços
do passado
pra poder te dar
também
a compreensão de mim mesma.
Te dei mapas
dos meus caminhos
tortuosos
te dei desenhos
feitos com lápis de cor
de coisas bonitas
pra te mostrar
meus talentos pueris.
Te dei a bebida predileta,
te dei a sobremesa
mais doce,
te dei livros
preciosos
e cheios de significados...
Te dei licenças
inimagináveis
para ações
impublicáveis,
te dei poder
e liberdade,
te dei acesso
e compartilhei
com você e os seus
o que só dou
a quem amo demais.
Eu te dei coisas
que não esperava
dar a mais ninguém.
Eu te abri portas
que jamais deveriam
ter sido reabertas.
Felizmente
ou não
eu me poupei
de te dar amor
em palavras,
posto que
todo ele foi dado
em ações
e atitudes.
O que dei...
o que te dei foi seu
enquanto eu queria te dar.
O que você
pôde levar
vai ter pra sempre,
o que não conseguiu assimilar
você perdeu
por não saber
receber...
Não possuir a capacidade
de baixar a guarda,
por não saber o que quer
nem quem é
você mesmo.
O que te dei
foi dado de bom grado
sem restrições.
Mas agora não tenho
mais nada para lhe dar...
A não ser
Adeus,
By by
So long..
Very well...
Seja feliz
Eu não posso te dar mais.
Eu não posso me dar mais.
Estou precisando demais
de mim mesma,
inteira.
Estou precisando demais
me dar
a mim mesma.
A conjuntura circunstancial é o que determina o que cada um absorve e aprende e sente em cada situação.
ResponderExcluirNo meu caso, nesse tempo, tenho desperta a incapacidade de compreender a necessidade - julgo assim, hoje - que as mulheres têm de amar... Talvez porque vocês são mães e sabem amar incondicionalmente. Talvez porque são mais gente que a gente, sabem reconhecer no outro um pouquinho de si...
Eu mantenho a guarda alta pra evitar contragolpes. Queria amar sem os pés nos chão mas acho que não dá mais. Infelizmente.
Querida amiga Anaís, lá vai Djavan só pra ti:
ResponderExcluirHavia mais que um desejo
a força do beijo por mais que vadia
não sacia mais
Meus olhos lacrimejam teu corpo
exposto à mentira do calor da ira
do afã de um desejo que não contraíra
No amor a tortura está por um triz
mas a gente atura e até se sente feliz
Quando se tem o alíbi de ter nascido ávido
E convido inválido
Mesmo sem ter havido, havido
Quando se tem o alíbi de ter nascido ávido
E convido inválido
Mesmo sem ter havido, havido
Havia mais que um desejo...
ps. gostei do comentário acima "talvez porque vocês são mães e sabem a. Talvez porque são mais gente que a gente". Ele tem razão.
ps.2 De qualquer forma, respeitando tua dor, teu escrito viceral, vivo, humano, pungente e verdadeiro me fascina.
ps.3 Um gigantesco abraço amiga Anaís,e, estamos aí, paqra o que der e vier...