Estou vazia de palavras
e repleta de pensamentos
analisando a falta
de uma dor maior
mais perseverante
talvez até necessária
uma dor quase ausente
o passando ao largo
rápido demais
aliada à falta
de vontade
de saudade
de buscar e pegar
arranhar a pele
e puxar os cabelos
pra mostrar
que o lugar atual
não é o meu
onde eu deveria estar
era perto, ao lado
junto e abraçada
sorridente e feliz
Nada
não sinto nada
a não ser
uma espécie de cansaço
temperado
com algumas gotas
de raiva?
não sei.
Despeito, talvez
mas nada de dor
não mais
nada de buscas
nem de esperas
nenhuma ansiedade
E a ausência
destes sentimentos
me fazem curiosa
quanto à realidade
dos outros sentimentos
latentes, gritando
há semanas atrás
talvez estes fossem
na verdade
a ilusão
a necessidade
da proximidade
da aceitação
mesmo do amor
que nunca foi mencionado
mas que foi
amplamente
ambicionado.
Talvez seja somente
talvez fosse somente
isso mesmo
no fundo
a necessidade
de amar
de sentir
me iludir
com a pretensa capacidade
de me envolver
e me deixar levar...
Hoje, navego
em águas paradas
turvas
sem ondulações.
Esperando passar
a tempestade muda
e quieta
esperando a cor
voltar
e o desejo reaparecer
travestido
de outro rosto
outro nome
outro local
outra ilusão qualquer
pra viver
e caminhar
mais alguns passos
à frente
pelos dias
e pelas noites
vazias
de mim mesma.
Olá Anaís, venho lendo este post a alguns dias, e como todos os teus escritos, este também é viceral, realistae ao mesmo tempo poético...e à medida que fazia as leituras via pedaços de minha vida, pedaços de meus desejos, minha desilusões, e este vazio crônico que assola minha alma. " a necesidade de amar, sentir, me iludir". Penso às vezes que tenho meu coração seco, de tanto chorar, que virou um deserto...chamei tanto por um amor que fiquei vazio de palavras, mas assim é a vida, a minha pelo menos, só (ontem a noite, pra variar, demorei pra dormir, apesar do remédinho, e normalmente não sinto falta de um corpo do meu lado, até porque preciso de espaço na cama, mas ontem, ontem quase chorei no escuro de novo pensando se este é meu destino, nunca vou acordar com ninguém ao lado, nunca chegarei em casa e terei um abraço, um beijo, um 'como foi teu dia'...), mas não posso me queixar de barriga cheia, tenho meus pais, e posso vê-los sempre (é só viajar um pouquinho), tenho sobrinhos lindos que me adoram, tenho amigos (poucos) por perto e tenho amigos que me dizem coisas que necessito e eu posso dizer as coisas que outra pessoa, talves não entendesse, não dessa nossa forma de comunicação, esses nossos textos, tão nossos e que podem ser do que lê também...mas não me queixo, apenas sinto que às vezxes posso ficar vazio de mim mesmo, e não terei nem a solidão como companhia.
ResponderExcluirps. Um imenso abraço.
Jair Machado Rodrigues